Angelina Jolie (37) é
unanimidade entre homens e mulheres. Ou, pelo menos, era.
Já ouvi essa frase aí
algumas vezes, dita geralmente por mulheres, entre risadinhas e suspiros de
inveja.
Mas bastou a bela se
enveredar pelo campo minado das cirurgias preventivas, para aumentar a polêmica
em torno de si. Mesmo o ativismo político não sendo novidade na vida da atriz,
sua decisão de fazer o procedimento conhecido como mastectomia dupla, e mais, a
decisão de revelar sua escolha, ficou longe de ser unanimidade.
“Minha mãe lutou contra o
câncer durante quase uma década e morreu aos 56 anos”.
Dessa maneira direta e
emocionada, ela começou seu relato intitulado “Minha escolha médica”, feito
para o jornal The New York Times, falando sobre a cirurgia que o mundo todo
comentou essa semana.
Angelina optou pela
mastectomia dupla para reduzir o risco de ter o tipo câncer que mata milhares
de mulheres todo ano ao redor do mundo. Muitos acham que a atitude da atriz
pode ajudar a quebrar preconceitos e diminuir o tabu que cerca o assunto. Mas
apesar de a maioria apoiar a reconhecer como positiva a atitude de fazer a
cirurgia e revelar ao mundo sua opção, a polêmica fica por conta do fato de que não há um consenso mundial sobre a indicação e a
repercussão em torno do fato de uma celebridade divulgar isso em um dos jornais
de maior prestígio no mundo. Além disso, alguns argumentam que falta evidência
científica de que o procedimento seja mais eficaz para a prevenção de mortes em
relação a métodos menos radicais, como exames e remédios.
“Não dá para
controlar a morte”, diz a jornalista Debora Thome. “Mania de americano”, diz
ela.
Debora diz
que, mesmo sendo indicado no caso da atriz, o procedimento pelo qual ela passou
é recomendado na minoria dos casos e é de alta complexidade. “Falar sobre isso
no NYT é criar uma bandeira”, questiona.
Sobre sua
decisão de não esconder, a jornalista Luzileia Patussi questiona: “Seria mesmo
possível esconder, sendo quem é?”, pergunta.
Veja o que os chapecoenses
disseram sobre o assunto quando eu lancei a questão no Facebook. A maior parte
apoia a atriz.
“Foi uma atitude muito corajosa, ela incorporou uma guerreira,
uma heroína, uma agente da CIA, e muitas outras personagens, e agora está sendo
a protagonista de sua própria história. Não é fácil tomar uma decisão dessas.
Mas se ela fez o exame (caríssimo e inacessível à maioria das mulheres) e o
resultado é de que teria 87% de chance de desenvolver o câncer de mama e 50% o
de ovário. O que para muitos soa como uma mutilação foi um ato de amor, pois
ela quer viver intensamente, feliz e com saúde ao lado dos filhos e ao lado do
marido. Deixar o galã viúvo?! Bem que fez! Palmas para Jolie!” Luzi Léa Stürmer
Patussi, jornalista
“Se ela possui mesmo a mutação BRCA1 (menos
de 1% das mulheres do planeta tem essa mutação, e estima-se que nos EUA em
torno de 5%), tem chance alta de desenvolver câncer de mama e o câncer de
ovário. A prevenção pode ser feita com
cirurgia (mais recomendada para mulheres com menos de 50 anos) ou com
hormonioterapia. Ambas medidas diminuem o risco, mas não totalmente. A cirurgia
é a adenomastectomia (ou seja, é retirada somente o parênquima da mama, ficando
a aréola, papila e pele) e o espaço preenchido por prótese. Mesmo assim terá que acompanhar, pois em
torno de 5 a 7 % de tecido mamário permanece. O interessante de tudo isso, não
é o fato da cirurgia a que ela decidiu ser submetida, mas de se expor, pois
poderia fazer o tratamento sem ninguém saber, para fazer campanha de acesso ao
exame genético, bem como ao tratamento de reconstrução mamária. O texto que ela
escreveu é emocionante (em nada se parece para promover, até mesmo porque ela não
precisaria.” Marcelo Moreno, médico
“Tendo ela perdido a mãe para o câncer de
mama e tendo a mutação, penso que foi a melhor decisão. Como viver
constantemente com essa espada sobre a cabeça? Agora a cirurgia para a
prevenção do câncer no ovario é bem mais complicada, não sei se ela vai ou não
fazer.” Ana Cristina Pandolfo, técnica judicária
“Eu apoio !!! Gostaria de fazer o mesmo.” Fernanda Bohns Confortim Camargo, estudante de arquitetura
“Acredito que foi uma boa decisão já que no caso dela existe
a mutação genética. Em relação à estética, as reconstruções mamárias ficam
muito boas, às vezes melhores do que antes!” Daniela Maran Fernandes, estudante
de medicina
“Ela não deveria ter divulgado na mídia. Isso
vai gerar uma serie de equívocos e acredito que haverá muitas mulheres querendo
se submeter a este tipo de cirurgia.” Rosangela Gradin, pedagoga
“Super a favor, se tiver a mutação e história
familiar. Dormiria me sentindo abraçada a uma bomba relógio se não fizesse...”
Carolina Ponzi, médica
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