domingo, 16 de junho de 2013

A escolha de Angelina

mastectomia


Angelina Jolie (37) é unanimidade entre homens e mulheres. Ou, pelo menos, era.
Já ouvi essa frase aí algumas vezes, dita geralmente por mulheres, entre risadinhas e suspiros de inveja.

Mas bastou a bela se enveredar pelo campo minado das cirurgias preventivas, para aumentar a polêmica em torno de si. Mesmo o ativismo político não sendo novidade na vida da atriz, sua decisão de fazer o procedimento conhecido como mastectomia dupla, e mais, a decisão de revelar sua escolha, ficou longe de ser unanimidade.

“Minha mãe lutou contra o câncer durante quase uma década e morreu aos 56 anos”.

Dessa maneira direta e emocionada, ela começou seu relato intitulado “Minha escolha médica”, feito para o jornal The New York Times, falando sobre a cirurgia que o mundo todo comentou essa semana.
Angelina optou pela mastectomia dupla para reduzir o risco de ter o tipo câncer que mata milhares de mulheres todo ano ao redor do mundo. Muitos acham que a atitude da atriz pode ajudar a quebrar preconceitos e diminuir o tabu que cerca o assunto. Mas apesar de a maioria apoiar a reconhecer como positiva a atitude de fazer a cirurgia e revelar ao mundo sua opção, a polêmica fica por conta do fato de que não há um consenso mundial sobre a indicação e a repercussão em torno do fato de uma celebridade divulgar isso em um dos jornais de maior prestígio no mundo. Além disso, alguns argumentam que falta evidência científica de que o procedimento seja mais eficaz para a prevenção de mortes em relação a métodos menos radicais, como exames e remédios.

“Não dá para controlar a morte”, diz a jornalista Debora Thome. “Mania de americano”, diz ela.

Debora diz que, mesmo sendo indicado no caso da atriz, o procedimento pelo qual ela passou é recomendado na minoria dos casos e é de alta complexidade. “Falar sobre isso no NYT é criar uma bandeira”, questiona.

Sobre sua decisão de não esconder, a jornalista Luzileia Patussi questiona: “Seria mesmo possível esconder, sendo quem é?”, pergunta.

Veja o que os chapecoenses disseram sobre o assunto quando eu lancei a questão no Facebook. A maior parte apoia a atriz.

“Foi uma atitude muito corajosa, ela incorporou uma guerreira, uma heroína, uma agente da CIA, e muitas outras personagens, e agora está sendo a protagonista de sua própria história. Não é fácil tomar uma decisão dessas. Mas se ela fez o exame (caríssimo e inacessível à maioria das mulheres) e o resultado é de que teria 87% de chance de desenvolver o câncer de mama e 50% o de ovário. O que para muitos soa como uma mutilação foi um ato de amor, pois ela quer viver intensamente, feliz e com saúde ao lado dos filhos e ao lado do marido. Deixar o galã viúvo?! Bem que fez! Palmas para Jolie!” Luzi Léa Stürmer Patussi, jornalista

“Se ela possui mesmo a mutação BRCA1 (menos de 1% das mulheres do planeta tem essa mutação, e estima-se que nos EUA em torno de 5%), tem chance alta de desenvolver câncer de mama e o câncer de ovário.  A prevenção pode ser feita com cirurgia (mais recomendada para mulheres com menos de 50 anos) ou com hormonioterapia. Ambas medidas diminuem o risco, mas não totalmente. A cirurgia é a adenomastectomia (ou seja, é retirada somente o parênquima da mama, ficando a aréola, papila e pele) e o espaço preenchido por prótese.  Mesmo assim terá que acompanhar, pois em torno de 5 a 7 % de tecido mamário permanece. O interessante de tudo isso, não é o fato da cirurgia a que ela decidiu ser submetida, mas de se expor, pois poderia fazer o tratamento sem ninguém saber, para fazer campanha de acesso ao exame genético, bem como ao tratamento de reconstrução mamária. O texto que ela escreveu é emocionante (em nada se parece para promover, até mesmo porque ela não precisaria.” Marcelo Moreno, médico

“Tendo ela perdido a mãe para o câncer de mama e tendo a mutação, penso que foi a melhor decisão. Como viver constantemente com essa espada sobre a cabeça? Agora a cirurgia para a prevenção do câncer no ovario é bem mais complicada, não sei se ela vai ou não fazer.” Ana Cristina Pandolfo, técnica judicária

 “Eu apoio !!! Gostaria de fazer o mesmo.” Fernanda Bohns Confortim Camargo, estudante de arquitetura

Acredito que foi uma boa decisão já que no caso dela existe a mutação genética. Em relação à estética, as reconstruções mamárias ficam muito boas, às vezes melhores do que antes!” Daniela Maran Fernandes, estudante de medicina

“Ela não deveria ter divulgado na mídia. Isso vai gerar uma serie de equívocos e acredito que haverá muitas mulheres querendo se submeter a este tipo de cirurgia.” Rosangela Gradin, pedagoga

“Super a favor, se tiver a mutação e história familiar. Dormiria me sentindo abraçada a uma bomba relógio se não fizesse...” Carolina Ponzi, médica

Sapatos claros no inverno: pode?


Atenção, românticas de plantão. Geralmente, a gente associa o inverno às cores escuras... Mas geralmente não significa sempre.

Está liberado o sapato clarinho, romântico e delicado para o inverno! Parece que o frio desse ano está tomando um caminho diferente. Vejam!

Gostaram? Dica da semana de tendência: tons clarinhos, nas roupas, e nos pés.



Fim de mundo



Ele se foi.

Mas não era uma ida à padaria, para comprar o pão e sentar à mesa depois do trabalho.

Manteiga e café com leite quente, entremeados pelos cotidianos comentários sobre as agruras do dia, cercados pelas crianças que na certa iriam brigar, recusar-se a comer a fruta, ou fazer alguma gracinha que nos faria rir despreocupadamente.

E comprar cigarros não era com ele.

Ela foi quem trouxe os cigarros, que fumava, um atrás do outro, de pé na enorme sacada  enquanto ele arrumava sem pressa alguma sua mala.

O que ele estaria levando, ela não sabia. Não conseguia olhar, não queria saber. Roupas, sapatos, shampoo, sabonete, barbeador, com certeza, aquele gel que gosta de usar nos cabelos.

E o cheiro? Será que sairia pela porta com ele? Aquele cheiro e as coisas às vezes espalhadas pelo quarto que ela antes sentia e via com satisfação, e que nos últimos dias a faziam ter vontade de vomitar e jogar tudo pela janela? Talvez o cheiro ainda ficasse por mais tempo, e a fizesse sentir alguma saudade de alguma coisa que já não sabia mais o que. Seu rosto de vidro, seu olho ruim dos últimos tempos, isso não era.

Fotos, livros, revistas, CDs talvez. Não, isso ficaria para depois. Mas será que haveria um depois?

Ela não sabia dizer, mas parecia que não. O chão se abria sobre seus pés, o ar descia queimando sua garganta seca, uma sensação de vertigem e angústia que fazia com que cada segundo se precipitasse sobre ela e seu corpo. Era tarde demais.

O apocalipse não se parecia com as cenas de filmes americanos: explosões, gritaria, correria, carros e prédios voando pelos ares. Era algo bem mais banal, doméstico, prosaico. Era um simples: “eu não te amo mais” que tragava tudo ao redor.

“O depois sempre vem”, pensou ela, sufocando, isso sim é terrível. Com seus segundos, minutos, horas, dias, meses e até anos. Não há o que fazer, tudo é varrido pelo tempo e pelo esquecimento, de forma mais ou menos aguda, nossas dores são ridículas.

“Mesmo assim, eu odeio”, disse sem querer, em voz alta, sem resistir a mais antiga das dicotomias da face da Terra: o melhor dos afetos transformado em ira.

A porta já estava fechada. Só deu tempo de ver o brilho do sol com sua luz refletindo no vidro do carro que acelerava e que, obviamente, ia embora com ele.

Entrou em casa. Lavou o rosto. Passou com raiva o batom mais forte que tinha na boca.

“Vou ligar para ela”, pensou, sorrindo e apertando os lábios para espalhar de maneira uniforme e cuidadosa o batom vermelho.”